Mais adolescentes estão se auto-mutilando e o motivo são os smartphones

O papel da interação social no desenvolvimento dos adolescentes

Um estudo demonstrou que a automutilação e as tentativas de suicídio aumentaram muito entre adolescentes dos EUA. Especialistas dizem que o uso excessivo de smartphones e o tempo online exagerado são os novos sinais de sofrimento entre as jovens e adolescentes americanas, particularmente durante os anos do ensino médio.

As visitas em salas de emergência para meninas entre 10 e 14 anos que se auto-mutilam eram estáveis até 2008 e vem escalando desde então. Não é claro porque a taxa de automutilação aumentou, mas especialistas atribuem ao acesso uso excessivo de smartphones e ao cyberbullying.

Automutilação e comportamentos relacionados, como ingestão de venenos, cortes e overdose de drogas são fortes indicadores de suicídio, a segunda causa de morte entre pessoas entre 10 e 24 anos nos EUA, de acordo com o Journal da Associação Médica Americana.

De 2009 a 2015 o número de garotas internadas em emergência subiu 8,4% ao ano. Quase 29.000 garotas e 14.000 garotos foram atendidos entre 2001 e 2015, dados objetos do estudo.

O suicídio entre meninas está em um pico de incidência de 40 anos em 2015 e é o dobro para meninas, mas mesmo entre garotos, há um salto de 30% entre meninos adolescentes.

De 2001 a 2005 meninas entre 10 e 14 anos raramente precisavam de atendimento na emergência por conta disso. Foram cerca de 110 meninas em 100.000 hospitais por automutilação nesse período. Após 2009 as taxas de visita na emergência pularam para mulheres entre 20 e 24 - quase 318 por 100.000 mulheres.

A maior taxa de visitas à sala de emergência ficou entre meninas adolescentes mais velhas, cerca de 633 por 100.000 em 2015.

Algumas pesquisas apontam que suicídio e automutilação é mais propenso a adolescentes nascidos depois de 1995. A razão mais provável para isso, segundo especialistas, é a ascensão do smartphone.

Outros pesquisadores dizem que pressão financeira podem ser um fator, a professora de psicologia Jean Twenge descartou a ideia. Como os anos de 2010 a 2015 foram economicamente estáveis, é improvável que desigualdade de renda contribuiu.

Na verdade, Twenge aponta para os smartphones, cujo uso cresceu no final de 2012, ao mesmo tempo em que depressão e suicídio aumentou entre adolescentes. Até 2015, 73% dos adolescentes tinham smartphones.

Na pesquisa, Twenge descobriu que, adolescentes que passaram cinco ou mais horas por dia online eram 71% mais propensos a ter pelo menos um fator de risco para suicídio, em comparação aos que passavam uma hora por dia.

Os adolescentes de todas as gerações passaram por problemas de saúde mental. A predisposição genética, ambiente familiar, bullying e trauma são fatores comuns.

Mas Twenge finaliza  ''Alguns adolescentes são vulneráveis, de uma forma ou outra, não teriam problemas de saúde mental, mas podem ter caído na depressão por causa do tempo excessivo na tela, e falta de interação cara a cara, sono adequado ou uma combinação dos três''.

Fontes:
https://www.washingtonpost.com/news/to-your-health/wp/2017/11/21/more-middle-school-girls-are-inflicting-self-pain-experts-say-it-might-be-because-of-smartphones/